Quarta-feira, Junho 06, 2007

Para Uma Nova Música Popular Portuguesa


Mais um de um ciclo de debates da exposição "No Tempo do Gira-Discos" que está no Museu da Música até 23 de Junho. Desta feita os músicos Domingos Morais, Carlos Guerreiro, Eduardo Paes Mamede, António Tilly e Pedro Osório vão falar do que se passou na música popular em Portugal desde finais da década de 60. É amanhã, as 18h, no actual Museu da Musica, futuro Museu da Música e do Som.

Quinta-feira, Maio 10, 2007

No tempo do gira-discos (1960-1980)

Já com o contributo da Etnomusicologia, as mudanças e os intervenientes que marcaram a música popular em Portugal começam, agora, a ter a importância que sempre mereceram.



O Museu da Música e o Instituto de Etnomusicologia da FCSH da Universidade Nova de Lisboa, juntaram-se para montar uma pequena exposição de 200 fonogramas que dão muito que falar sobre as músicas das décadas de 60 e 70.

António Tilly e João Carlos Callixto guiam as visitas.

Com um bonito trabalho da equipa do Museu - com destaque para o Rui Nunes e Sandra Pinho - os fonogramas são mostrados na sala de exposição permanente, rodeados de instrumentos musicais.

Ao lado dos gira-discos estão os novos Zen da Creative onde se podem ver e ouvir os discos expostos.

Num país que desprezou o património fonográfico (e agora parece acordar apenas para o Fado), o Arquivo Nacional de Som é já uma necessidade urgente.

Obrigado aos muitos coleccionadores e instituições - entre elas a RDP - que souberam manter os fonogramas e, com eles, a memória musical de Portugal.

António Tilly, comissário da Exposição (9/5/2007)

Quarta-feira, Abril 18, 2007

ACUDAM A PORTUGAL!!!!

Mais uma linda apelação no blog de J. Tilly.

Após Salazar ter sido eleito "o maior português de sempre” pelos espectadores de um programa da televisão do estado, apresentado por mais uma culta dra. que nunca o foi, as trapalhadas do Primeiro Ministro vêm provar que os mais cépticos, em Portugal, não o são suficientemente. A realidade ultrapassa a ficção.

Talvez tenha sido por isto que a ficção portuguesa - telenovelas incluídas – nunca tenha dado nada: o pessoal está habituado à realidade.

António Tilly

Quinta-feira, Março 15, 2007

Blog de Teste

Mais uma vez, após um pequeno comentário num blog de um habitante de Seia, onde considero a música de Rodrigo Leão nada mais que um pastiche primário de cançoneta diatónica básica do tipo exercício de piano para crianças de 8 anos... lá vem, num comentário anónimo, o insulto típico que resumo:

É que se eu "fosse bom", ou mesmo melhor que o Rodrigo Leão... "já tinha saído do anonimato".

Dantes ficava apavorado com tamanho desconhecimento...

Se para o Giddens vivemos a "modernidade tardia"... para mim, trata-se de simples grunhice de um analfa que acha que "o melhor" é o que conhece da indústria fonográfica e da televisão.

Não será por isto que somos pobres?





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Quarta-feira, Fevereiro 21, 2007

Fernando Pessoa?

Depois de ter promovido o contra-programa O Pior Português de Sempre, Clara Ferreira Alves está neste momento (00:30h de 21 de Fevereiro de 2007) a dizer-nos, na RTP1, que o escritor Fernando Pessoa deve ser considerado o maior português de sempre.
Atentamente a seguir o programa, espero que Clara F. Alves me explique PORQUÊ.
Mas aviso Já que não me venha, com o "porque é o maior poeta"... eu quero é saber porque é que é o maior poeta.
Vou esperar...
António Tilly

Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007

Olha, filho... tenho sida, é só para te avisar!

Estes cromos acreditam que a prostituta cumpre a ética profissional e avisa os clientes!
ah! ah! ah!
Está tudo dito.

Domingo, Fevereiro 04, 2007

Pode? Sim. Deve? Não.

Quem vota SIM no referendo sabe que:

Pode (abortar)? Sim. Deve (abortar)? Não.

António Tilly

Não ao Poder!

Num país onde nem a República trouxe a Luz*, os conservadores do capital, religiosos e restantes seguidores sem poder, dizem NÃO ao aborto.

Dizem também não ao:
- poder da mulher sobre o seu próprio corpo;
- poder da mulher sobre um facto de que é a principal responsável.
- poder da mulher SOBRE A SUA PRÓPRIA VIDA.

Nada de novo, portanto, pois é impossível convencer um religioso do óbvio.

António Tilly

*no sentido de esclarecimento, aufklärung, enlightenment

aSsim, Não!

aSsim, Não, professor (Marcelo) ...
Leia os livros antes de os doar à biblioteca de Celorico de Basto.

António Tilly

Sexta-feira, Dezembro 01, 2006

Porta da Estrela? Fiz como o Jornal de Sta. Marinha: deixei de ler.

Na edição de 10 de Novembro de 2006, o Jornal Porta da Estrela refere o Conservatório de Música de Seia numa notícia intitulada "Sindicato dos Professores exige explicações sobre subsídios aos colégios privados".

Nessa notícia, escrita a partir de outra produzida pela agência noticiosa LUSA, o Jornal orienta o discurso para o Conservatório de Seia, publicando uma fotografia sobre a legenda "Verbas para o Conservatório de Música postas em causa pelo SPRC".

É evidente que a notícia não tem qualquer razão de ser, tantas são as incorrecções.
Mas não é isso que está em causa.

O que interessa é que o jornal optou por dar voz a um manifesto sindical sem consultar a Escola, uma instituição do Concelho, que fica a menos de 100 metros da redacção.

O montante do Contrato de Patrocínio (e não do Contrato de Associação como é referido) é calculado pela Direcção Regional de Educação sobre o valor pago aos docentes por cada aluno e hora lectiva, isto é, serve apenas para co-financiar, em cerca de 50% e exclusivamente, os ordenados dos professores (há alguém capaz de dizer isto aos sindicalistas?).

O aumento do valor do Contrato ficou a dever-se ao aumento do número de cursos e alunos desde o ano de 2003. Nos últimos 4 anos, o Conservatório de Música de Seia foi a escola do Centro do país que mais cresceu.
Isto quer dizer que a escola tem razão de ser e tem cumprido a sua função. É exactamente por essa razão que a escola foi criada: para complementar de forma articulada - e não sobrepondo ou duplicando - a oferta e os serviços de educação da escola regular pública.

Claro que só alguns compreendem e valorizam a existência, em Seia, de uma escola do ensino especializado de música. Muitos estão contra, claro. Entre os quais, elementos de determinados sindicatos. Não sei as razões, mas entre elas estarão questões politico-ideológicas e o puro desconhecimento, claro.

Mas veja-se lá a posição do Porta da Estrela:
Se fosse um aumento dos alunos de qualquer outra escola de Seia, como a Escola Superior de Turismo, era bom, porque traria mais pessoas para Seia, etc., etc., e teria outra importância, outro tratamento, outro destaque, como aliás, já aconteceu.

Como foi o Conservatório que cresceu, porque tem tido mais alunos, mais cursos e mais professores... isso é mau(!!), de tal forma que dá a entender que um sindicato terá pedido explicações à DREC, isto como se houvesse alguma ilegalidade!

Claro que o referido sindicato pediu explicações - não sobre o Conservatório de Seia que só vem referido numa lista anexa - mas sobre a política de financiamento de todas as escolas do Ensino Particular e Cooperativo do Centro do Pais, afectas à DREC, entre as quais se contam todos os conservatórios de música, a escola Evaristo Nogueira ou a Casa de Santa Isabel, ambas de São Romão.

Então como explicar a posição do jornal?
A posição do jornal só se pode explicar de duas maneiras:
Ou está contra o Conservatório de Música de Seia e o seu financiamento;
Ou o desconhecimento é tal que nem se apercebem do sentido do texto publicado.
Eu vou mais pela segunda, mas nem sei bem...

Porém o acto de publicar é um acto de grande responsabilidade. E porque defendo que as instituições têm de estar a altura das funções que pretendem assumir, que a competência e isenção implica o trabalho de profissionais esclarecidos e por considerar que os leitores não são correctamente informados, decidi cancelar as minhas assinaturas do Jornal Porta da Estrela.

António Tilly

Quinta-feira, Outubro 26, 2006

Distintos Manifestantes e Grevistas

Em resposta a um defensor do ensino público.

É aqui que divergimos: o ensino público não é um bem comum.
Este Ensino público é um MAL COMUM.

É caricato dizer isto no Blog do João, que é um dos que personifica o exemplo contrário. Pessoas como ele são totalmente desperdiçados nestas escolas que, mesmo contrariados, ajudam a manter. Acho que está na hora de separar o trigo do joio.

Toda a gente sabe que esta "luta" dos professores nada tem a ver com a defesa do ensino público, mas, apenas, com o estatuto da carreira docente; melhor: com o fim da progressão automática na carreira.

Toda a gente o sabe razão pela qual os protestos dos professores não têm qualquer apoio.

Não venham cá fazer de conta que estão a defender "o ensino público", que esse não está - nem nunca esteve - em causa.

Estes professores estão apenas a tentar segurar meia dúzia de regaliazecas que, apesar de não terem qualquer interesse, são demonstrativas da desigualdade na função pública - querem lá saber dos direitos dos outros funcionários! - e contribuem significativamente para o "buraco" das finanças do estado.

Quem não está contente com a profissão de professor que tem, pode sempre propor uma nova escola, ou mudar de profissão que o tempo de serviço conta na mesma. Mas parece que isso, são incapazes de fazer. Fazem umas manifs... apenas.

Interessa-lhes é o dinheirito, um horário semanal a reduzir e o tempo de férias a aumentar. Passam a vida a contar, em voz alta, o tempo que falta para a reforma (ficaram tristes com as últimas mudanças); a queixar-se que não têm de "dar o estudo acompanhado". E os miúdos a precisar tanto de quem lhes ensine algo que tenha valor, que lhes sirva para a vida. É uma vergonha.

Instintiva e primária, esta reacção dos professores, é apenas o resultado mais que esperado da acção dos inúmeros sindicatos que tudo aproveitam para justificar a sua existência, mantendo desta forma os "tachos" completamente desnecessários de centenas de professores que não ensinam.

Por isso é que NÃO ENTENDO porque é que o João Tilly está do lado destes professores e dos eus interesses corporativos, pois todos os dias denuncia as hipocrisias que tolhem o funcionamento e a melhoria do ensino na sua escola.
Entristece-me também ver que a sua posição vai de encontro à do professor-parasita, posição que ele diariamente combate.

Caríssimo:
Esta na hora de propôr, ao Ministério, a autonomia pedagógica e financeira dessas escolas de ensino-em-série.
É preciso acabar com essa indústria-de-estado do ensino-da-treta.
É evidente que uma autonomização eficaz implica o financiamento do Ministério e uma gestão própria. Reduziam-se logo os custos e aumentava-se a produtividade, visto que os "parasitas do ensino" fugiam a sete pés para a "escola pública" mais próxima. Nem era preciso pô-los no olho da rua.

É que isto não pode ficar-se por "umas manifs e uma palavras-de-ordem-gritadas-ao-megafone-até-se-acabarem-as-pilhas": se os políticos são todos uns "bachareis", está na hora de lhes fazer frente, o que não será dificil para tanto doutor defensor da economia-de-estado, sistema tanto do agrado de quem gosta de viver às custas do trabalho alheio.

Força.

Sexta-feira, Outubro 13, 2006

Diferentes Manifestações

Os "funcionários" das escolas fizeram uma "manif" e os professores outra.
Porquê?
Nas manifs dos profs a escolas não fecham.
Nas manifs do "funcionários" as escolas fecham.
Porquê?

Professores funcionários públicos - II

Dizem que os alunos não sabem ler, que não compreendem o que está escrito.
Que não fazem os testes porque não percebem o que se lhes pede.
Na TV a Ministra respondeu ao J. Tilly dizendo-lhe que quem faz os testes são os professores.
E eu digo que quem não os ensina a ler são também os professores.

Segunda-feira, Outubro 09, 2006

Professores "funcionarios publicos"

Porque discordo do "discurso-dor-de-corno" dos professores manifestantes:

1. Porque têm uma concepção "reducionista" e "totalitária-de-estado" do ensino e sofrem de um "anti-elitismo" primário, como se todos tivéssemos sido os piores alunos do nosso tempo para agora podermos ser professores-sem-chefe.

2. Porque acham que os alunos que vão para o ensino particular (como as escolas profissionais) ou são ricos, ou são burros e só acabam o curso porque os pais têm dinheiro e pagam;

3. Porque acham que pagar um serviço de ensino é um crime.

4. Porque não sabem o que é o ensino particular, nem sabem que eles próprios, enquanto cidadãos de pleno direito do estado português, e segundo a Lei de Bases que apregoam, podem criar uma escola privada com autonomia pedagógica.

5. Porque estão contra a criação de escolas, excepto as criadas pelo estado, pois só assim se podem tornar funcionários públicos, com emprego garantido para toda a vida, a trabalhar o mínimo possível, mas detendo regalias que, sussurrando, exibem na conversa com o amigo;

6. Porque não percebem que é exactamente pela má qualidade do ensino público que protagonizam, que o privado "faz negócio", o que contraria a ideia de que os professores vão para o privado porque não têm lugar no público. Só os maus e deconhecidos concorrem ao público. Os outros são convidados para o privado, "para fazer negócio".

7. Porque acham que quem trabalha muito por conta de outrem é sempre escravizado, o que pressupõe que o trabalho é sempre uma obrigação que se faz contrariado.

8. Porque (como o jc) não entendem que há pessoas cuja remuneração anual depende da especificidade dos seus conhecimentos e daquilo que efectivamente produzem;

9. Porque (como o jc) não entendem que há professores que não se sujeitam a ser simples e indiferenciados funcionários públicos, com um número de ordem e com uma carreira programada e automática que depende apenas do factor tempo;

10. Porque são sempre contra a "elite", independentemente do que isso poderá querer dizer.

Eu acho que nao.

Diz João Tilly:

"E a maior parte dos profs do ensino privado que só lá está porque não consegue lugar no público? Ainda é pior, não? Esses nem conseguem chegar a ser humilhados pela ministra. São-no todos os dias pelos seus patrões que muitas vezes se confundem com os seus donos. É ver a pouca vergonha que se passa nas esmagador maioria dos colégios onde os papás pagam mais por cada filho do que ganha um professor."

EU ACHO QUE NÃO:

Se o privado só tivesse os professores que não têm lugar no público, porque pagariam os pais mais dinheiro por um ensino com piores professores?
O que vejo é exactamente ao contrário.
Quem procura os bons professores é o ensino privado.
Só este o pode fazer. Poder procurar professores para o ensino público implicaria avaliações, enfim, um conjunto de medidas "discriminatórias"... e vinha logo aí o blogue-de-esquerda zurzir, afinal isto não é uma meritocracia.
Os bons professores são constantemente convidados para o ensino privado, onde não interessa a gradação do condidato-sem-nome para a "colocação" no "próximo concurso".
É exactamente por esta razão, entre outras, que o ensino privado se pode tornar mais facilmente que o público, no "ensino de excelência".

Ensino unico. Partido unico

Erros do totalitarismo.
São os valores que enformam o discurso precedente que estão profundamente errados.
Se, a seu modo, reflectem uma total incompreensão do enquadramento das políticas posteriores à revolução de 25 de Abril, por outro, deixam-nos ver quão particular é a perspectiva de grande parte dos professores do ensino publico: uma visão estatal-monopolista, totalitária, única e uniforme da educação, perspectiva constrangedora da diversidade e pluralidade, que tolhe a implementação de outros conteúdos programáticos e o desenvolvimento das aptidões individuais.
É esta visão que, a par da incapacidade de detecção e potenciação de vocações (mui nobre função do acto de ensinar), constitui um dos maiores problemas e causa fundamental da mau serviço que, diariamente e mesmo sem querer, prestam à comunidade.

É esta a razão porque o chamado "ensino de massas", enquanto "mesmo para todos", tem os resultados conhecidos: grande abandono escolar; ineficácia na diminuição do analfabetismo; negação do ensino experimental; incapacidade na detecção e potenciação de vocações individuais; total ineficácia na orientação profissional agravada por uma orientação massiva para cursos "de prestígio"; profundo desprezo por outros agentes e ofertas de ensino; inadaptação às características do meio profissional circundante; etc, etc.

É esta perspectiva do Sistema de Ensino, onde o ensino público se apresenta com laivos de um totalitarismo endémico, que contribui para "o mau nome" dos seus principais protagonistas, os "professores funcionários públicos". Aliás as afirmações do professorado público reflectem não apenas o desconhecimento da lei de bases como geram acções contrárias aos seus objectivos.

Ensino público e ensino gratuito.
Um destes erros de raciocínio é o que diariamente ouvimos da boca do professor público: a confusão entre o "ensino público" e "ensino gratuito".
Só é gratuito o ensino obrigatório (do 1º ao 9º ano de escolaridade). É gratuito nas escolas públicas e privadas com contratos de financiamento.
É gratuito exactamente porque é obrigatório.
Os ensinos secundário e superior públicos não são, nem nunca foram, gratuitos.

Ensino Particular e Cooperativo
O Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo (Dec. Lei 553/80) a que se refere a lei de bases de educação em vigor, só prevê o financiamento do ME às escolas sediadas em locais sem oferta de ensino público. Nas escolas do 2º e 3º ciclo este financiamento pressupões os designados Contratos de Associação. São as direcções gerais de educação que calculam o valor a transferir para estas escolas, valor este que depende do número de alunos, professores e funcionários, i.e. da dimensão da escola. É este o caso da escola Evaristo Nogueira (S. Romão, Seia), escola particular do 2 e 3º ciclos do ensino básico, em que os alunos não pagam propinas. O ENSINO NESTA ESCOLA É TÃO GRATUITO COMO EM QUALQUER ESCOLA PÚBLICA.

Irão perguntar: onde se aplica melhor o dinheiro? Numa escola pública ou numa escola particular?
Depende, evidentemente, da escola.
Portanto, nem todo o ensino privado pode ser visto como um negócio.

"Negócio"
Os restantes funcionários públicos podem também dizer dos professores do ensino público que ser professor do ensino público é "um bom negócio", ou pior, "um bom emprego".
Mas há casos em que o Ensino Particular se pode transformar num negócio, apesar de desta forma se contrariar o referido estatuto do ensino particular.
Nas maiores cidades do país, há escolas onde os alunos pagam propinas elevadas. Note-se que a maior parte destas escolas, como o Colégio dos Salesianos (Lisboa, Campo de Ourique) não tem qualquer contrato de financiamento com o ME. Porquê? Precisamente porque tem uma escola secundária pública mesmo ao lado. Portanto este "negócio", nas palavras do professorado "de esquerda", não afecta negativamente o orçamento do estado, como as escolas públicas. Antes pelo contrário. Poupa-nos dinheiro a todos. Mas porque optaram os pais pelo ensino particular? Ao contrário do ensino público, a escola existe porque há uma vontade em conceber outro tipo de ensino. No caso referido, um ensino de qualidade que transformou a escola numa das referências do país. Os encarregados de educação que podem, pagam pelo ensino de qualidade, personalizado e diversificado. Isso é bom sinal. Se podem pagar que paguem, pagam os que usufruem e não todos os contribuintes, indiscriminadamente. Se podem pagar e querem, devem poder fazê-lo. É legítimo. É a liberdade na sua essência. Porém, tendo igualmente direito ao ensino público-único, preferem pagar para "fugir" à escola pública.
Isso é um mau sinal.

Pergunta o professor: e quando não se pode optar?
Se não há igualdade, o problema é da escola pública que tem de melhorar.
É isso que todos queremos, ou não?
E, como a Ministra, acho que sem uma reforma profunda da carreira de docente público, nada se pode fazer.

Professores, funcionários públicos.
Mas os "professores públicos" que, como os mass media, num profundo desconhecimento da referida Lei de Bases, ignoram constantemente o ensino privado, ainda têm a coragem de dizer que "não são pagos para tomar conta de crianças" e "carreira há só uma, professor e mais nenhuma!". Os estreantes porque acham que o estado lhe deve um emprego (?!?!?!?!); ou outros porque querem ficar perto da sua terra, ou, pior, querem manter "regalias" que todos sabemos são desiguais mesmo face a outros funcionários públicos.

Porque não vejo os professores do ensino superior público, onde não há só uma carreira automática, a dizer o mesmo?
Porque não acabar com todas as carreiras e todos os concursos em toda a função pública? Seria um grande passo para a sociedade sem classes, no sentido do comunismo pleno! Todos os funcionários públicos a ganhar o mesmo e a progredir automaticamente na carreira! E já agora, em vez de 22 horas, porque não 10, ou 5? Porque não é assim que se melhora a qualidade do ensino.
Porque os sindicatos estão-se "nas tintas" para a qualidade do ensino.
Porque todos nós já percebemos que o que interessa aos professores é ganhar mais e trabalhar menos.

Confundindo os assuntos profissionais da classe com outros de natureza científica e pedagógica (se é que isso ainda existe no ensino público), os muitos sindicatos de professores, demonstram, nas suas atitudes diárias, que as únicas razões que os movem são as alterações ao estatuto da carreira automática. Dizem que têm direitos adquiridos. Pois têm. Por isso são privilegiados... pois são... e isso custa-nos dinheiro a todos. Pior ainda quando o resultado da acção totalitária do estado, via professor público, tem sido o que se conhece.
Sobre os "privilégios de classe", leia-se o que diz Vital Moreira sobre o ADSE (que neste momento tem um défice de 763 milhões de euros) em:
http://aba-da-causa.blogspot.com/2006/09/sobrevivncias-corporativas.html

Quem não quiser continuar a ser professor, pode deixar se o ser. Não é obrigatório ter a mesma profissão ao longo da vida. Podem, os professores, procurar um emprego melhor. Nada os proíbe. Podem até fazer uma nova escola e requerer o respectivo financiamento ao ME. Até aí pode haver liberdade, mobilidade. Nas suas escolas, podem criar empregos novos, para gente nova. Combater o analfabetismo, implementar as suas ideias e contribuir para um país melhor.
A liberdade não se faz exercer pelo sindicalismo corporativista.

Os meus filhos andam no Ensino Público regular e vocacional.
Também eu quero melhorar o ensino público.
É por isso que acho que a Ministra tem razão e estes professores, não.

Terça-feira, Setembro 12, 2006

Justificaçao do terrorismo

Agora até o ex-presidente Mário Soares justifica as acções terroristas.

Bom, nada como argumentar com a mesma falta-de-argumento-lógico dos defensores do terrorismo:
Os atentados das torres gémeas deixaram 3000 orfãos e ESTES NÃO SE ESQUECERÃO DE QUEM LHES MATOU OS PAIS.

António Tilly

Segunda-feira, Setembro 11, 2006

Apoio deliberado ao terrorismo

Só há uns anos é que me apercebi que os militantes do PCP e do BE apoiam o terrorismo suicida que vitima individuos civis inocentes.
Primeiro era contra os israelitas. Agora é contra os americanos.
Aliás, apoiam tudo, desde que seja contra os americanos.
Parece evidente agora que, apesar de dizerem que não, todos acham que se não foram da autoria dos americanos, os atentados de 11 de Set. foram na mesma "merecidos". Uma espécie de "é bem-feito!"
Digam lá, estes apoiantes do revolucionário ditador Fidel são ou não são uma "gente horrível"?

António Tilly

Domingo, Setembro 10, 2006

Direito à tecnologia

O Irão faz saber que tem direito ao seu programa nuclear.
Mas isso não é conhecimento e tecnologia dos Infiéis?

Ideologias "de esquerda"

Ainda não percebi o que o Francisco Louça (BE) quer das empresas multinacionais:
Se quer que cá fiquem ou se quer que vão embora.

Interesse público

Se o campeonato de futebol é considerado pelos tribunais como de "interesse público", o que poderá não ser considerado de interesse público neste país?

A Ciência?

Segunda-feira, Maio 22, 2006

Selecçao (2)

Sobre a bola há ainda a dizer o seguinte:
Somos um País que paga a um Brasileiro para fomentar o mais bacoco nacionalismo.
Scolari é o "esperto". Quem paga (e lhe paga) é o "burro".
Para um português mediano a última frase é falsa.

A "Selecçao"

Ouvi na Sic a caracterização da "selecção" de futebol:
"Um Comandante e 23 Heróis".
Orgulhosamente pobres e, na generalidade, imbecis, damos é importância à "bola" e não ao conhecimento.
Um país com tantos retardados e analfabetos só poderia ser, patriótica e orgulhosamente, o mais pobre da europa.

Sábado, Maio 20, 2006

O Preservativo.

"Tanto faz como fazes, desde que uses preservativo" é o slogan da nova campanha da Liga Portuguesa Contra a Sida lançada esta semana.

Gostaria de saber o que dizer aos meus filhos (Pedro de 7 anos de idade e Mariana de 10) sobre o spot televisivo que passa a qualquer hora nas televisões generalistas.

Parece que a Sra. Maria Eugénia Saraiva, funcionária da Liga Portuguesa Contra a Sida, diz que "o spot se destina a jovens heterossexuais e tem como objectivo transmitir, sem moralismos ou fundamentalismos, a mensagem de que se pode praticar sexo seguro, desde que se use preservativo".

Portanto: não interessa mais nada, a não ser o preservativo. "Tanto faz como fazes" quer dizer: ele é o no carro (é o Citroen CX?), na casa-de-banho, na discoteca, no elevador, onde e com quem te apetecer.... É "mocar" à força toda... nada interessa - nem quem é o outro ou outros - desde que se use o preservativo.

Ai sim? Então direi aos meus filhos: "Filhos, p'ra frente é que é o caminho. Quando estiverem com vontade... é só avançar! Tudo "cool", não há crise... é em qualquer lado, não interessa com quem! Não vêem? Mas... atenção! É preciso é o preservativo! Sem isso é que não! De resto..."

São ou não uma cambada de atrasados mentais?

Sexta-feira, Outubro 28, 2005

O Promotor

Quando se critica, quando se expressa um ponto de vista, o juízo de valor está sempre presente.
No caso do CineEco, não está em causa a avaliação do empenho ou desempenho deste ou daquele indivíduo.
Se a promoção do evento e a sua consolidação podem e devem ser analisadas publicamente, não o devem ser as questões de mérito ou competência de cada indivíduo que colabora na sua organização e promoção.
Integrados na equipa que organiza o CineEco desde a sua primeira estão Carlos Teófilo e Mário Jorge Branquinho.
É escusado dizer que, sem eles, não haveria CineEco.
Sem CineEco não haveria razão para estas linhas.
Não é pelo facto de pensar que o CineEco poderia e deveria ter tido outro desenvolvimento, que desconsidero o trabalho de dois dos seus promotores. É a orientação e o resultado de toda a estrutura organizativa que interessa analisar.

Porque razão haveria eu de criticar o trabalho de um Carlos Teófilo?

Incansável, sempre corporizou o que de melhor o CineEco teve.
Sempre fez mais do que lhe competia.
Ao contrário do que se pode pensar, Carlos Teófilo, é um Promotor a sério, e, neste sentido, tornou-se a excepção que confirma a regra.
O CineEco precisa, sem dúvida, de mais excepções.

Quarta-feira, Outubro 26, 2005

Sobre o CineEco

Para Paulo Alexandre:

Não entendo, nem nunca entendi, porque é que dás tanta importância ao CINEECO, um evento perfeitamente desconhecido no país e ignorado pela grande parte da população do Concelho e da Região.

Em 10 ou 11 anos de "CINEECOS" nada mudou em Seia, nem no panorama cinéfilo, nem no ambiental.

Não se tornou num Festival mediatizado nem conhecido em lado nenhum, (com a excepção dos cineastas profissionais de concursos e que "vão a todas"), o que é o principal objectivo de qualquer evento deste tipo.
Não incentivou a produção cinéfila local.
Não levou ninguém a interessar-se pelo Cinema.
Não estabeleceu quaisquer protocolos com instituições de ensino.
Não motivou sequer um simples cine-clube à moda antiga.
O Cineeco não estabeleceu qualquer ligação cultural à comunidade e por isso, apesar da promoção da CMS, deixou de ser o pequeno "happening" que foi nas primeira edições.

Falhou estrondosamente, quer na vertente mediática e promocional da cidade e da região (a que interessava à Autarquia), quer enquanto "projecto cultural", apesar da boa vontade da Câmara Municipal de Seia e de Lauro António.

Ao longo destes anos tornou-se evidente que o Cineeco nunca passou de uma boa intensão.

Estes projectos só funcionam quando são conduzidos por especialistas, i.e. pessoas com conhecimentos, estudos ou experiência profissional na área que promovem. MAS NÃO HÁ NINGUÉM EM SEIA QUE REÚNA ESSAS CONDIÇÕES e não se fazem omeletas sem ovos (mesmo com a gripe!). Nenhum dos promotores locais do Cineeco é capaz sequer de realizar uma produção caseira. Nada sabem de Cinema, nem do agora denominado "Audio-Visual".

Os poucos que, enquanto amadores, se interessaram por isso, foram totalmente afastados, apesar de terem dado provas que poderiam (e deveriam) continuar a promover o evento.
É o caso do meu irmão, o teu caso, e de alguns outros que conheço. E foi neste aspecto que os promotores locais (Câmara Municipal incluída) falharam: cortaram sistematicamente as poucas ligações à comunidade local, afastando aqueles que, de uma ou de outra forma, poderiam promover o Festival.
É um comportamento comum aqueles que pretendem controlar o que sabem desconhecer. E esta tem sido um tendência das "promoções" da CMS, mostrando que uma Câmara Municipal deve apenas "apoiar" e não tomar a iniciativa da promoção.
É isto que temos de mudar.

O (também) realizador Lauro António, por si, não poderia fazer mais: estabeleceu contactos, arranjou os filmes e as "celebridades", promoveu o Festival e deu a cara por ele. Só não deitou os foguetes. Mas o trabalho de acompanhamento e suporte no terreno que deveria ser feito na região, não foi realizado.
Um Festival não é uma coisa que se encomenda e se entrega à cobrança. Nenhum projecto público, de impacto comunitário, o é.

O Cineeco está mais que morto... há dez anos, pelo menos. Isto, se alguma vez esteve vivo.

Se fosse eu a organizar, fazia tudo ao contrário do que foi feito.

António Tilly

Quinta-feira, Março 04, 2004

Explicar o Futebol? Eu? Adorno e Horkheimer já o fizeram.

The rationale behind the culture industry is not a sheer technological one, Max Horkheimer and Theodor W. Adorno argue in their discussion of the culture industry. It is a form of domination, foreshadowing what will happen elsewhere: "The ruthless unity in the culture industry is evidence of what will happen in politics. Marked differentiations such as those of A and B films, or of stories in magazines in different price ranges, depend not so much on subject matter as on classifying, organizing, and labeling consumers."

Avião "Vianna da Motta" passa a avião "Eusébio".

Não, não é uma anedota.
Mudaram o nome de um avião de Vianna da Motta para Eusébio.
Fiquei incomodado.

Não tenho dúvidas da simplicidade populista do evento futebolístico.
Tenho a certeza que esta indústria do espectáculo desportivo é perfeitamente inócua.
Não é pelo sucesso da selecção ou de qualquer clube de futebol que deixaremos de ser um dos piores países da Europa. O futebol não é uma actividade que suporta o desenvolvimento. Então porque é constantemente referido e usado como um dos principais desígnios do país, capaz de provocar a exaltação de grande parte dos seus habitantes?
Não se trata apenas da incompetência da generalidade dos políticos portugueses.
Estes políticos defensores de uma democracia deprimida estão completamente dependentes dos eventos de massas na medida em que estes são a estrutura fundamental da cultura popular em que opera o sistema político democrático. Haverá mais alguma coisa a dizer para explicar o funcionamento da máquina de alienação Futebolística?

Quarta-feira, Março 03, 2004

Futebol ou Democracia? Futebol ou Conhecimento?

Confesso que sempre me senti incomodado com a relevância que o futebol, enquanto espectáculo desportivo, teve e tem em Portugal. Talvez por me parecer uma actividade demasiado evidente e simplista assente na capacidade de excitar as mais elementares emoções. Como as telenovelas e outros romances da mesma espécie, o discurso que enaltece o futebol, assenta na usual (e parece que intemporal) perspectiva dicotómica ou bipolar: uns são "os outros" (os maus) e outros somos "o nós" (os bons). Os adeptos, uns e outros, defendem sempre o "nós", uns contra os outros. O "nós" quer ganhar aos "outros".

Enquanto evento orientado para os grandes grupos (para não dizer "de massas"), o futebol assenta, como todos os outros discursos do mesmo tipo, nas mais primárias (não complexas) premissas que facilitam o entendimento, ou seja a percepção e recepção do evento: os adeptos - o "nós" - querem vencer para sentir que pertencem ao grupo dos melhores, sabendo que para isso, os "outros" têm de perder para serem os piores. Como nas telenovelas, o futebol resume-se à disputa do bom contra o mau, para não dizer do bem contra o mal.

Porém, o que me aflige não é a linearidade do evento, nem tão pouco o tipo de sistema sócio-comunicativo que estabelece. É antes a atitude populista que enforma o seu discurso (o do futebol) e a sua presença contínua nos meios de comunicação social.

Entendo que a relevância social do futebol não decorre do jogo em si, mas da continuada promoção (entenda-se publicitação ou mesmo propaganda) proporcionada pelos meios de comunicação social. Claro que o jornalismo, ao incluir o futebol como rubrica obrigatória no seu discurso diário (haja ou não motivo ou notícia), parte do princípio que o futebol e os assuntos com ele relacionados são já do interesse público. Aqui surge o primeiro equívoco jornalístico. O jornalismo supõe que o público manifesta já e "naturalmente" um interesse pelo futebol, e não que o dever de informar o público sobre o futebol assenta num princípio ideológico que defende o futebol como assunto fundamental e necessário ao público (como o fundamento do Ensino, por exemplo).

No entanto, e sabendo que um indivíduo só se pode envolver pelo que conhece, e que quem dá a conhecer são os meios de comunicação social, pode-se inferir que o interesse do "público" assenta maioritariamente no que estes propagam. Desta forma, este sistema contínuo (conhecido como pescadinha-de-rabo-na-boca) alimenta-se a si próprio: quanto mais se fala de futebol, mais os receptores se familiarizam com o assunto, pois a informação que passam a deter induz o discurso individual e a opinião, ou seja, um maior envolvimento do receptor no assunto que advém do processo de difusão informativa de carácter impositivo. Este é o processo que cria o adepto: quanto mais se sabe de futebol mais se quer saber de futebol. E se assim é, se o interesse dos indivíduos receptores (do "público) aumenta, o jornalismo pode redimir-se, perguntando: que podemos senão dar aos receptores aquilo que estes querem? É uma das características do jornalismo capitalista. Mas não há outro.

Daqui a constatação do erro crasso que envolve a expressão "O Futebol é o desporto Rei". Deveria antes dizer-se: "O Futebol foi feito o desporto Rei e agora já é o desporto Rei".

O "populismo" do Futebol decorre logicamente do carácter do evento.
Tornado um fenómeno social de grandes grupos, relaciona-se com a Política por essa mesma razão (a do "populismo"), visto que em democracia a política se legitima na vontade de grupos do mesmo tipo. Daqui resulta a dita promiscuidade entre o Futebol e a Política no sentido em que o eleitor é também um adepto. Contrariar politicamente os adeptos formais ou potenciais significa a não identificação com o adepto, a automática ligação aos "outros" (os maus), e a consequente perda do voto necessário para a legitimação do poder. Ignorar o futebol, enquanto elemento agregador (identificador) de indivíduos é cometer um erro de campanha eleitoral. Por esta razão dificilmente se encontrará um político que não dê ao Futebol a máxima atenção e que não o enalteça. A democracia em portugal está fadada ao Futebol.

Para o adepto do Futebol, Eusébio é um "grande português" e Vianna da Motta não existe. Por isso os políticos mudaram o nome ao avião. Que mais poderiam fazer?

António Tilly.

Pacheco Pereira não dorme. Haverá mais algum político que afronte o poder do futebol?

Escreveu Pacheco Pereira no Abrupto:

ESTÁ TUDO DOIDO?

Não sabia, vim agora a saber por uma referência de Medeiros Ferreira, que o avião da TAP que tinha o nome de “Viana da Motta” foi rebaptizado “Eusébio”. Já não há vergonha nenhuma, ou está tudo doido? Eu bem sei que neste país de trituradora já ninguém sabe quem foi Viana da Motta, um dos últimos alunos de Liszt, grande pianista e razoável compositor, que marcou como “mestre” na sua arte toda uma geração de músicos portugueses. Como muitos grandes pianistas anteriores às técnicas modernas de gravação, a qualidade da sua execução só existe na memória dos testemunhos e relatos da época, mas o homem existiu, não existiu? A Luísa Todi também existiu, não existiu?
Pobre país que não se respeita a si próprio.

Terça-feira, Dezembro 16, 2003

Imagens da Serra da Estrela "a cores"

Aqui começa uma selecção de imagens que fui tirando da Serra da Estrela. Estava farto de ver sempre a mesma coisa a preto e branco dos auto-proclamados "Fotógrafos Profissionais" cá do burgo, de maneira que resolvi explicar-lhes que existem películas a cor há já um bom par de anos. A neve e as nuvens são bonitas também a cores até porque, tal como tudo neste planeta, têm o mau feitio de serem assim mesmo... a cores.
Agradecido.

João Tilly
Mais fotos aqui

Segunda-feira, Dezembro 15, 2003

O Ministro da Saúde vem a Seia trazer 800 mil boas notícias...

O ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira, vai visitar o Hospital de Nossa Senhora da Assunção, de Seia, na próxima quarta-feira, dia 17 de Dezembro às 11 horas. A informação foi adiantada ao PE pelo presidente da Administração Regional de Saúde do Centro, Fernando Andrade, que hoje esteve em Seia para receber os novos elementos do Conselho de Administração, constituído por José Luís Vaz (Presidente) e Nuno Martins (vogal-executivo). Margarida Ascensão, ex-presidente do Conselho de Administração, continua a desempenhar as funções de directora clínica até ser encontrado um substituto bem como João Coelho, ex-enfermeiro-director.
Recorde-se que na visita que efectuou a Gouveia no passado dia 7 de Outubro, Luís Filipe Pereira prometeu vir conhecer a realidade do Hospital de Seia e só depois propor uma solução futura. A visita esteve marcada por três vezes para Novembro mas acabou por ser cancelada. Em consequência dos adiamentos da visita os vereadores e deputados municipais do PSD têm faltado às reuniões de Câmara e Assembleia Municipal como forma de protesto.
in Porta da Estrela
Sabemos, particularmente, que o ministro virá trazer 800.000 boas notícias... chegarão para a remodelação do Hospital?

Quarta-feira, Dezembro 10, 2003

Ferro Rodrigues,em visita ao Hospital, criticou o Governo

O secretário geral do Partido Socialista, Ferro Rodrigues, criticou hoje, durante a visita que fez ao Hospital de Nossa Senhora da Assunção em Seia, o «incumprimento» das promessas feitas pelo PSD, na campanha eleitoral para as eleições legislativas, no que diz respeito à construção de um novo edifício para a unidade hospitalar. Disse também que os sucessivos cancelamentos da visita do ministro da Saúde «é muito mau sinal».
É preciso dizer que por coincidencia começou, hoje mesmo, a construção de um novo Hospital em Gouveia. Embora privado, terá comparticipação estatal e isso não augura nada de bom para este processo parado do nosso Hospital...

Domingo, Novembro 30, 2003

Requiem do hospital de Seia

Opinião de João Tilly, publicada no DN.

O velho hospital cá continua, moribundo. Aproximam-se os piores meses do ano: Janeiro e Fevereiro. Virão as gripes e as pneumonias e não haverá um mínimo de dignidade nem privacidade para aqueles que tiverem o azar de cair naquela casa.
O Porta da Estrela publicou, em Fevereiro passado, uma reportagem pungente intitulada "É isto o que Seia merece?", com fotografias de doentes a serem transportados de noite ao vento e à chuva, com temperaturas próximas dos zero graus, entre os dois blocos do hospital.
Dormem nos corredores, os doentes. E não é só dormir. É estar rodeado de outros utentes, visitas, outros doentes, funcionários no exercício das suas funções; enfim, toda a gente que tem, também ela, de se deslocar pelos corredores de acesso do velho hospital.
E ali ficam. Horas. Dias. Nos corredores. A dormir, a comer e a fazer as suas necessidades.
Quando não podem ser levados até ao primeiro piso às costas dos enfermeiros mais robustos, porque elevadores... não há.
Ali permanencem, nestas condições, tempos infindos para quem tem, por Lei, o direito à sua privacidade e ao recolhimento na doença.
Mas em Seia a Lei é substituída pela falta de espaço e de instalações condignas.
Em Portugal já temos dez estádios de futebol novinhos de dezenas de milhões de euros cada. Isto não é - não pode ser - mais importante que a saúde pública.
Em Portugal, teremos TGV e aeroportos novos, embora todos esses projectos tivessem sido declarados congelados, enquanto houvesse um só doente em lista de espera, por um primeiro-ministro inflamado pela razão que a mais elementar justiça lhe conferia então.

Hoje, já ninguém confere nada, nem os tremendos prejuízos que a falta dos mais básicos cuidados de saúde às populações provocam no Orçamento Geral do Estado. Esbanjam-se milhões a tentar remediar o que poderia ter sido evitado. Mas para evitar... não há verba.
E os politraumatizados e os doentes agudos que chegam à urgência do Hospital de Seia continuam a morrer nas ambulâncias que partem diariamente a caminho da Guarda, 65 quilómetros para Este, onde depois de se perder mais uma hora em diagnósticos - que se poderiam perfeitamente fazer em Seia - são reenviados para Coimbra, mais 160 qiolómetros para Oeste, - a andar para trás - numa dança macabra que termina por ser, desgraçadamente, a última para muitos dos que lá vão dentro, a sofrer a indignidade e o supremo azar de ter vivido, trabalhado e adoecido em Seia.
As três horas que se perdem na viagem maldita Seia-Guarda/Guarda-Coimbra poderiam ser fundamentais para se salvar uma vida. E quantas se perderam já? Haverá maior indignidade do que esta, perpetrada sobre aqueles que, porque idosos ou doentes, mais fragilizados, se encontram neste particular momento das suas vidas?
Achamos que não. Ninguém que tenha a desventura de presenciar este negro espectáculo pode ficar insensível.
Talvez por isso o ministro esteja a evitar visitar-nos. Para não ver. Para não ficar chocado com a agonia de uma população que parece ter sido condenada ad-eternum por ter escolhido esta maravilhosa terrinha para construir a sua vida. A mesma população que contribui, com o seu trabalho, para o desenvolvimento da região; e também, com os seus impostos, para a construção dos mega-estádios de futebol e para a aquisição de submarinos e helicópteros de guerra, estranhos e súbitos "desígnios" nacionais.
Em Fevereiro passado exortámos Eduardo Brito a que não se desse por vencido. A que não atirasse a toalha ao chão, por mais desigual e viciado que fosse este combate.
Até porque a toalha iria cair por certo sobre os doentes.
E se as mais claras evidências não forem suficiente para sensibilizar esta classe política governante, faça-lhes ver, sr presidente, na única linguagem que eles tão bem entendem, que o nosso velho hospital serve uma população que, junta, enche o Alvalade 21. Não uma vez por época, mas todos os dias do ano.

Quarta-feira, Novembro 26, 2003

Hospital de Seia

Intervenção do Dr. João Viveiro na Assembleia Municipal de Seia a 24 / 11 sobre o assunto supra.

A saúde é um direito inalienável dos cidadãos. A sua eficácia e qualidade, um dever de quem a administra.
Não basta classificar administrativamente as instituições, é imperioso todo um planeamento, criar condições, dotá-las dos meios necessários para que elas possam cumprir as funções que lhe foram criadas, sem as quais deixarão de ser eficazes e funcionais, não cumprindo os objectivos que estiveram na génese da sua criação e, inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde se tornarão inúteis, ou pior que isso…
Vem isto a propósito das degradantes e ineficazes instalações do Hospital Distrital de Seia que supostamente deveriam servir toda a região em condições de qualidade e eficácia.
Como todos sabemos (e tantas vezes ignoramos), a questão da construção das novas instalações do hospital foi sempre utilizada pelas forças politico-partidárias da alternância do poder, não só como “cavalo de batalha” mas também como “pedra de arremesso”.
Ninguém está ” limpo” neste processo incrivelmente desgastante e penoso para todos nós, principalmente, para os infelizes utentes e, de forma diversa, para os briosos profissionais que, no dia-a-dia dão o melhor de si, lutando contra a falta de condições de toda a ordem.
Como explicar de forma racional uma situação incrível como esta, que todos condenam e todos também pretendem resolver? Não é que esta falta de condições no Hospital persiste em continuar contra tudo e contra todos, de forma intemporal, sem apelo nem agravo. Como é possível?...
Estranhamente, e por maior que seja a insistência, a voz dos autarcas e das populações não consegue encontrar eco em relação a algo tão elementar ao cidadão como é a saúde e as condições do local de trabalho. Porque será? Como explicar esta situação incrível?
Haverá alguma razão forte que assista ao Governo Central, indiferente a tão grave problema, fazendo-o parecer assim tão autista? Não é fácil descortinar uma razão. Se não repare-se…
Todos nós temos presente o que há relativamente pouco tempo (e afinal já lá vão quase dois anos), ouvimos referir na campanha eleitoral. O Dr. Durão Barroso, na altura candidato a primeiro-ministro iria dar prioridade à Saúde, e muito bem, congelando obras ditas megalómanas, entre outras: a terceira ponte sobre o Tejo, o TGV, o aeroporto da Ota, etc. enquanto houvesse um único doente em lista de espera…
Pois bem Senhor Primeiro-ministro, queira demonstrá-lo! Nas degradantes condições em que se encontram as instalações dos cuidados de saúde em Seia, não há tempo a perder…
Deste modo, discurso humanista do Senhor Primeiro-ministro terá o nosso aplauso e incondicional apoio se nele houver coerência, a não ser que… Sim, a não ser que ignore toda esta situação!... O que seria ainda mais grave para a sua estrutura político-partidária.
Será possível Senhor Primeiro-ministro, imaginar a qualquer cidadão da União Europeia, ou até da Região de Lisboa e Vale do Tejo, que no interior deste seu país, um país da União Europeia, que recebe elevados subsídios para o desenvolvimento regional, no sentido da tão propalada convergência económica, que no século XXI, um doente, por exemplo acidentado, chegue ao banco de urgências do Hospital de Seia, em situação complicadíssima de perigo de vida, seja encaminhado para o Hospital Distrital da Guarda, ao qual vai levar cerca de uma hora a chegar e que, não raras vezes, depois de observado, caso a complicação o justificar, é desde logo reenviado para o Hospital Central de Coimbra, onde chegará duas horas mais tarde, tantas vezes já, desgraçadamente, sem vida?
É no mínimo estranho que o Senhor Ministro da Saúde, Dr. Luís Filipe Pereira, viesse a um concelho vizinho, aqui mesmo a dois passos, inaugurar, digo, confirmar com pompa e circunstância a delimitação de terrenos (imagine-se…) para a construção de um futuro centro de saúde, cujos doentes vão ficar sujeitos ao mesmíssimo problema, se não até mais grave, (porque a distância aumenta) do que aquele que agora acabámos de citar! Porquê tantos adiamentos na prometida visita a Seia, para se inteirar deste grave, como absurdo problema? Estranhos motivos estes, que tantas vezes adiam tão ansiada visita! Como explicar esta situação? Para não a chamar de cínica esta atitude, é no mínimo, grotesca e deselegante. Fico-me por aqui, pois as acções ficam com quem as pratica...
Acredito que estes adiamentos causarão seguramente incómodo aos órgãos concelhios da sua própria estrutura político-partidária, deste ministro, pois que independentemente de tudo aquilo que possa separar as nossas bancadas, quero acreditar que nesta matéria estaremos fortemente unidos.
Este país interior, tão cansado de esperar melhores dias, desgraçado por condição geográfica, onde quase tudo falta, (e um dia destes, vai-se a ver, já nem as pessoas cá estão); não bastando já a crónica falta de acessibilidades que teima em aumentar a distância ao Progresso, aos Hospitais Centrais, às Universidades e a tantas outras instituições que não abdicam de estar próximas dos centros vitais de decisão, do litoral, temos ainda a fatalidade de estar-mos condenados à privação ad eternum dos mais elementares cuidados de saúde!...
É bom que nós, políticos, eleitos por tanta gente anónima que em nós confiou para irmos de encontro dos seus mais elementares e legítimos direitos, no sentido de uma real melhoria de vida, entre as quais se salienta o inalienável direito à saúde, não defraudemos quem em nós confiou, devendo ser essa a causa mais nobre dos nossos mandatos.
Seguramente, o nosso papel como políticos só se justifica enquanto no mandato para o qual fomos eleitos, formos capazes de servir a causa das pessoas que nos elegeram. Caso contrário, nem um minuto mais fará sentido aquilo que representamos.
É, fundamentalmente, neste sentido que me dirijo a todos os membros, sem excepção, desta nobre Assembleia Municipal, que será tão mais nobre quanto maior for a consecução do cumprimento dos nossos mandatos, promovendo as condições que vão de encontro às expectativas de todos aqueles que em nós, confiaram, independentemente da sua filiação partidária.
Esta reivindicação legítima das instalações do hospital, foi de ontem, é de hoje e será de sempre, se cada um de nós, não se conformar com este tão elementar direito à saúde, das populações que representamos, não seja satisfeito.
Nós os políticos, temos responsabilidades acrescidas na construção célere de uma Sociedade mais equilibrada e justa, onde haja lugar para todos e, sobretudo, onde as diferenças entre nós não sejam nunca reflexo de desigualdade do nosso semelhante, sem as mínimas condições a que exige a condição e dignidade humana. Sem nunca nos acomodarmos, temos que fazer mais e melhor…
Se por incapacidade de cada um de nós, e dirijo-me à própria estrutura político-partidária do PSD, no momento com responsabilidades acrescidas, ou de todos nós em conjunto e, particularmente, aos deputados do Círculo da Guarda na Assembleia da República, (que deveriam no local próprio defender com vigor os interesses da região que os elegeu) não conseguirmos este desiderato, tão elementar como fundamental, as gentes da Beira-serra, que são pessoas justas, generosas, tolerantes e solidárias no seu essencial e que em nós confiaram, nunca nos perdoariam e, a nós próprios, não restaria outra alternativa que não fosse pedir-lhes desculpa, admitindo as nossas limitações, dando lugar a outros que consigam aquilo que nós fomos incapazes de obter.
De outra forma, como poderíamos nós dormir de consciência tranquila?

Assembleia Municipal de Seia, em 24 de Novembro de 2003

O Deputado Independente do Grupo Parlamentar do Partido Socialista
(Representante eleito da A.M. ao Conselho Geral do Hospital de Seia)

Lic.º João José Cabral Viveiro

Serra da Estrela: neve com vista para o mar

O que nos faz falta, em Portugal, em qualidade da classe política dominante, há de sobra em beleza natural.
É a lei das compensações.

Portugal é dos países mais bafejado pela sorte, no que concerne às condições naturais: clima e paisagens, sobretudo.
Espanha tem serras mais altas, onde se podem fazer centenas de kilómetros de ski (para quem aguentar).
Tem também praias de água quente (Valencia, Málaga, Barcelona), mas sem ondas, que o Mediterrâneo não gosta muito delas. Mas não este pacote turístico, este 2 em 1, na mesma àrea geográfica.
Todos os países nórdicos têm altas montanhas, todas magnificamente exploradas e vocacionadas para a prática de desportos de inverno. (Conheço pessoalmente Innsbruk na Áustria e Ruka na Finlândia - porque a Vodafone me fez o favor de me proporcionar essas viagens. De outro modo nunca lá iria).
Mas esses países, ou não têm praias, ou é como se as não tivessem.
Ninguém se mete em água gelada por gosto.

Nós, aqui neste cantinho, temos tudo. E ao mesmo tempo.
Uma montanha linda, com um maciço central imponente e de fácil acesso, faz as delícias dos montanhistas.
E logo à frente, a menos de hora e meia de viagem, as praias da Figueira da Foz e Mira.
Esta é uma característica que não é facil encontrar em lado nenhum.
As grandes pistas de ski de Andorra não ficam, é certo, muito longe das praias mediterrânicas de Girona, mas nunca se faz essa viagem em menos de 5 a 6 horas, a andar bem. O mediterrâneo Francês fica ainda mais longe, e sempre é outro país, com outra língua.

Aqui, não.
Duas horas após descalçar as botas no Sabugueiro, apenas terminada a digestão do belo queijo da Serra, pode o turista tomar uma rica banhoca na Figueira da Foz cuja água, não se podendo considerar como cálida é, pelo menos, suportável. E tem, pelo menos, ondas. É um autêntico Brasil para os Galegos, para não falar nos nórdicos.

Temos todas as condições naturais em Portugal e sobretudo aqui na Serra da Estrela - o 2º destino turístico nacional - para proporcionar um fim-de-semana absolutamente inolvidável aos nossos visitantes.

Nunca as soubemos aproveitar, é certo.
Mas agora, estou convencido, com as novas condições das pistas e os novos alojamentos disponíveis em Seia e no Sabugueiro, já seremos capazes de receber condignamente.

Aguardamos as V. críticas.

Terça-feira, Novembro 25, 2003

Visitar Seia e a Serra da Estrela: sugestões do João Tilly

Restaurantes recomendados em Seia - Serra da Estrela

Esperam-se 6 mil turistas em Seia, a partir de 6ª feira próxima.
É bom que quem nos vista saiba onde pode almoçar ou jantar, condignamente.

A seguinte listagem é (mais ou menos) aleatória e não hierarquizada.

Restaurante do Museu do Pão - à saída de Seia, direcção ao Sabugueiro
Restaurante Borges - perto da Igreja da Misericórdia direcção Sabugueiro
Restaurante do Hotel Camelo - centro da Cidade
O Cantinho da Alice - centro da cidade em frente ao tribunal
Restaurante da Quinta do Crestelo - Saída para S. Romão
Restaurante Crestelo - Saída para S. Romão
Restaurante Mota Veiga - saída para Arrifana
Restaurante Estrela de Seia - Arrifana
Restaurante O regional da Serra - centro da cidade, Praça da República
Restaurante O Farol - largo da Câmara Municipal
Restaurante O Pastor da Serra - à entrada de Seia, vindo de Nelas, Viseu, Coimbra ou Guarda
Restaurante Santa Luzia - Pinhanços, estrada Gouveia - Seia
Restaurante Sra da Lomba - Pinhanços, estrada Gouveia - Seia
Restaurante Mira Neve - bombas da Galp em Pinhanços

No Sabugueiro há também alguns:
O Miralva, por exemplo, é uma coisa do outro mundo...

Há mais. Mas estes são os que eu recomendo.

Sábado, Novembro 22, 2003

Enquanto o Hospital é o que está a dar, fecham as poucas fábricas do Concelho

Diz um leitor no PE ONline:
"Por incrivel que pareça, a prestigiada fábrica que tanto trabalho deu e tanto prestigiou Loriga, fechou as suas portas. Uma fábrica onde nunca faltou o trabalho, onde as encomendas nunca faltaram e...pura e simplesmente fechou, sem razão aparente, simplesmente porque lhe apeteceu. Mas antes, antes do seu encerramento foi chupada até ao tutano dos ossos, até não haver matéria prima. Porquê?
Porquê ninguém denunciou, porquê a Câmara e Junta nada fizeram, porquê o Porta da Estrela não diz e não disse nada? Nem uma minúscula linha no seu jornal. Será que isto é menos importante que um acidente com uma ambulância de Loriga? Fica aqui a questão".
(mais)

Quinta-feira, Novembro 20, 2003

Eduardo Brito no seu melhor...

Tenreiro Patrocínio e Fernado Béco, os 2 vereadores do PSD da CM Seia ponderavam demitir-se em protesto contra a indefinição do governo sobre o Hospital de Seia.
Quando pensariam que esta sua inédita atitude seria da mais subida importância e chamaria de imediato a atenção do governo para esta problemática, Eduardo Brito apressou-se a desiludi-los: que não valeria a pena demitirem-se porque «o ministro não liga nenhuma ao PSD de Seia». (!)

Ora bolas... então mas isso diz-se aos senhores?
Ai, ai, ...

"Ó senhor Engenheiro, não bata mais nos professores...(sobretudo nos de Português)!

De uma amiga minha, professora de português numa escola secundária, a terminar o mestrado em Linguística (acho que é isso...) recebi o seguinte texto delicioso que passo a transcrever, e que prova inequivocamente que os professores não são todos ex-alunos medíocres que não conseguiram arranjar emprego em mais lado nenhum.
Ainda os há por vocação.
Sei que ninguém acredita nisso, mas eu até sei que há.
Poucos, é certo. Mas há.

"Ó senhor Engenheiro, não bata mais nos professores...(sobretudo nos de Português)!

O problema (da falta) do Ensino

Vamos lá a esclarecer este triste e arrastado problema do Ensino em Portugal e sobretudo no Portugal profundo - o Interior Beirão - a minha zona.
Clarifiquemos a minha posição sobre este assunto que, aliás, é pública há mais de 12 anos (sendo que sou professor há cerca de dezasseis). Por todo o lado tenho escrito o que penso e não será uma sociedade de medrosos (podem trocar as consoantes da segunda sílaba, que o resultado é o mesmo) que me fará ser igual a eles. Nunca o fui. Sempre disse o que tenho a dizer, e neste caso fruto de profunda reflexão e prática profissional de mais de década e meia.

É evidente que a culpa de termos a pior escolaridade da Europa - de termos o maior abandono escolar da Europa e de termos os alunos mais incultos da Europa - não é só dos professores.
Mas é, na sua maior parte, deles.
(mais)

Quarta-feira, Novembro 19, 2003

Comandante dos BV Seia "parte a louça" toda

O comandante dos BV de Seia, Virgílio Borges, deu uma entrevista à RTP denunciando que o Hospital de Seia não tem condições para receber ambulâncias nem tem plano de segurança interno.
Nada que não se soubesse há anos.
Se chegarem 2 ambulâncias simultaneamente, é o cabo dos trabalhos.
Quanto ao plano de segurança, não sou entendido na matéria, mas se ele o diz...
Recordemos que o mesmo comandante denunciou, em Agosto, que a Fiagris também não tinha plano de segurança e esteve-se tudo a marimbar para isso. Ninguém mexeu uma palha nem se importou com isso.
Enfim, esperemos que, com o tempo, Seia fique cada vez menos provinciana e entenda que não são só os bares que têm que cumprir a lei.
As Feiras e os Hospitais também.

Descuido ou analfabetismo funcional?

Era preciso saber se os professores do ensino básico, os mesmos que se queixam diariamente de que os seus alunos não têm grande sucesso porque não dominam a Lí­ngua Portuguesa, - apesar de terem nisso também responsabilidade há 3, 4 ou 5 anos - dominam eles próprios a mais artística língua do Mundo.
Percebi, há anos, que a maioria deles não conhece a obra de Mário de Sá Carneiro nem de Bocage, ou de João de Deus.
Conhecem alguma coisa de Fernando Pessoa e Camões.
Menos mal.
Há dias escrevi um texto em que dizia que às Jornadas Históricas em Seia assistiam sempre os mesmos: reformados, ociosos e professores.

Então não é que alguns professores pensaram que eu os estava a chamar de ociosos?
Incrível!!!
Descuido de leitura, ou reflexo condicionado?
Podiam também ter-se confundido com reformados, se fosse apenas um mero descuido.
Mas não.
Foi só com ociosos.
Porque será?

Terça-feira, Novembro 18, 2003

Duelo Homem / Máquina?

Nos últimos textos do abrupto, a propósito do Xadrez, fala-se de um duelo entre o homem e a máquina. O que impressiona é que depois de discursos tão bonitos ninguém foi capaz de afirmar o evidente: o homem concebe as máquinas para melhor desempenhar determinadas funções. Agora conseguiu-o com o Xadrez. Se as máquinas não "ultrapassarem os humanos" como é dito no abrupto, é porque são más máquinas, o que serve para definir máquina como "dispositivo que ajuda o humano a melhor desempenhar determinada função". O computador ajudou o humano a vencer o jogo de Xadrez. Qual é a novidade? A dualidade homem máquina não tem qualquer sentido.

RE: Ociosidade ou valorização do conhecimento?

Comento esta frase do António que é a única que pretende defender o que é, na minha opinião, absolutamente indefensável e perigosamente demagógico:

Caracterizar de ociosos os indivíduos que organizam o seu horário para assistir a conferências é desvalorizar o comportamento do indivíduo que valoriza o conhecimento.

Atendendo a que toda a gente percebe que nem 1% das pessoas em Seia tiveram possibilidade de organizar o seu horário para assitir a conferências de 3 dias úteis seguidos em horário laboral, até fico constrangido em responder a esta frase.
Acho que nem é preciso.
Clarifiquemos - embora não me pareça necessário - que se as jornadas fossem restritas, tipo "Simpósium sobre as novas formas de combate do HIV", para médicos especialistas, ou "A nova regulamentação das injunções", para solicitadores, este horário normal seria perfeitamente lógico.
Tratar-se-ia de horário laboral para audiências seleccionadas e profissionais (vulgo acções de formação), para as quais todos os profissionais têm dispensa e autorização superior, sem perda de regalias, para frequentar.
Ganham, inclusivamente, currículum e eventualmente créditos para subir nas suas carreiras.
Agora, jornadas históricas ABERTAS À POPULAÇÃO???

Então mas o electricista, o canalizador, o pedreiro, o operário, os funcionários de empresas privadas, enfim: aqueles que efectivamente PRODUZEM aquilo que estas jornadas naturalmente gastam, alguma vez podem, por muito que queiram, assistir???
Por amor de Deus!!!!
Haja um mínimo de decência!!!

Re: Pacheco e os media

Comentário apenas à ultima frase:
Ou me engano muito ou vai ter de mudar de assuntos para permanecer no Jornal da Noite de Domingo.

Dada a queda abrupta de audiências que essa rubrica tem provocado no share da SIC, desde a 2ª emissão, é de espantar como é que o director de programas ainda "aguenta" o Pacheco Pereira num horário nobre.
O lugar dos intelectuais num país analfabeto é no canal 2, ou de madrugada, ou ainda no Domingo de manhã a combater o Pokémon, qual José Hermano Saraiva.
A noite, a hora que vende o Sonasol, é para o futebol, em qualquer parte do mundo até muito menos estúpida do que esta.
Ou, se falarmos em comentadores, quando muito, para um hilariante Sousa Tavares filho, ou um alucinado professor Martelo: coisa comercial, perceptível para qualquer um, com discursos directos, sem muletas que remetam para referências académicas que seriam sempre (de qualquer modo) argumentalmente rebatíveis.

O horário nobre é o único que diminui os imensos prejuízos de qualquer estação de televisão, - falo para quem sabe o que é televisão - e isso não se estuda em lado nenhum, porque não há velocidade suficiente para o fazer em tempo real.
Os semi-mediáticos da segunda divisão Pacheco Pereira, Manuel Carrilho, Graça Moura, por exemplo, a terem lugar, seria no SERVIÇO PÚBLICO RTP. Com os prejuízos financeiros a serem suportados pelo Estado. Nunca num canal puramente comercial.
A inversão de valores está apenas na concepção de quem, por mais prosaicos mortos que leia - e se calhar por isso mesmo - fica sem perceber nada de televisão em 2003, para não falar de Portugal nos tempos recentes.

Ociosidade ou valorização do conhecimento?

Um dos problemas inerentes ao desenvolvimento das indústrias culturais é a colocação tendenciosa mas já dogmática dos "eventos culturais" no campo do lazer. É também uma característica da sociedade portuguesa que ainda hoje tem os denominados "produtores culturais", especialmente os artistas e os académicos, como grupos não produtivos. Se bem que no que se refere aos académicos ligados às actividades industriais (que não a cultural) essa atitude seja naturalmente dissipada devido à afectação directa no PIB da actividade industrial, o que se verifica é a incapacidade generalizada em ultrapassar as associações simples entre produção e trabalho, recepção e lazer.
Considerar que as Jornadas Históricas se destinam aos ociosos é supor a sua inutilidade no sentido em que o evento é incapaz de propiciar a difusão do conhecimento produzido pelos especialistas.
Caracterizar de ociosos os indivíduos que organizam o seu horário para assistir a conferências é desvalorizar o comportamento do indivíduo que valoriza o conhecimento.
Eventos deste tipo são, como todos os outros, para quem tem possibilidade e manifesta vontade em comparecer, pelo que quer a contribuição dos promotores, dos conferencistas quer dos restantes participantes, enquanto auditores, deve ser considerada como trabalho e não como ócio.
A calendarização do evento não é suficiente para adjectivar os participantes de ociosos, isto é, de mandriões, improdutivos, preguiçosos, vagabundos, desocupados e folgazões.

O discurso de Pacheco Pereira é o contrário do discurso dos meios de comunicação social.

No noticiario das noites de Domingo da SIC, Pacheco Pereira continua a abordar os principais assuntos do domínio das Ciências Sociais num discurso que integra já um sentido ético. No último Domingo referiu o excesso do futebol na sociedade portuguesa, a preponderância da literatura na análise cultural e artística em Portugal e esteve quase a desmistificar o jogo de xadrez enquanto actividade associada à excelência humana. Digo "quase", porque apesar de referir que "as máquinas" estão a superar os melhores jogadores, não completou o raciocínio dizendo que quem faz as máquinas são os humanos, o que consumava a desconstrução do estatuto do jogo em prol da actividade de concepção e construção da máquina. A relevância do actual discurso de Pacheco Pereira deve-se precisamente ao tipo de assuntos abordados, que sendo comuns no campo académico, não o são na esfera pública onde são susceptíveis de causar dissonâncias relativamente às crenças e ao comportamento social inerente às maiorias. Ou me engano muito ou vai ter de mudar de assuntos para permanecer no Jornal da Noite de Domingo.

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